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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Padre Fábio de Melo no Programa Mais Você

Padre Fábio de Melo canta e faz oração para abençoar o público no dia de Natal.
Fonte : Globo Vídeos

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz Natal !!!!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Papo X com Padre Fábio de Melo!

Entrevista de Pe. Fabio de Melo no TV Xuxa
Programa exibido em : 20/12/08
Fonte: Globo Vídeos


domingo, 14 de dezembro de 2008

A pureza do olhar

Fonte : Site Canção Nova - Formação

A pureza do olhar
É olhar com carinho para o outro


Ter olhos puros é ter uma conexão direta com nosso coração. Quando Deus transforma o nosso jeito de pensar, modifica também o nosso jeito de olhar as coisas e as pessoas. Vemos as coisas com os olhos da pureza, sem preconceito. Olhar as pessoas com pureza significa permitir que elas sejam vistas por nós como se estivessem sendo vistas por Jesus.


É muito bonito descobrirmos que, na oportunidade de encontrar o outro, também encontramos um pouquinho daquilo que somos. Há duas formas da fazermos isso: nos alegrando quando vemos, refletido no outro, um pouco daquilo que temos de bom. Mas também podemos nos entristecer, quando vemos o que o outro tem de ruim e descobrimos que somos ruins também daquele jeito.

Por isso é natural que, muitas vezes, aquilo que eu escuto de ruim do outro eu acabo não gostando, porque, na verdade, ele me mostra o que eu sou.


Ter a pureza no olhar significa você se despir de tudo e começar a olhar com carinho e liberdade para aquilo que o outro é, permitindo que esse seja o encontro frutuoso, tanto para nos mostrar o que temos de bom e para nos indicar no que precisamos ser melhor.


Neste dia de Santa Luzia, desejo que todos nós tenhamos os olhos puros.




Padre Fábio de Melo - 13/12/2008 - 00h00

Padre Fábio de Melo é professor no curso de teologia, cantor, compositor, escritor e apresentador do programa "Direção espiritual" na TV Canção Nova.

Fonte : Site Canção Nova - Formação

domingo, 7 de dezembro de 2008

Pe. Fabio ganha disco de platina no Hosana Show - 06/12/08

Fonte : Site Canção Nova

Não apenas um grande show com luzes, com milhares de pessoas vibrando e com todas as letras na ponta da língua, além do clima contagiante… O show do padre Fábio de Melo, realizado na tarde deste sábado, dia 06, na sede da Comunidade Canção Nova em Cachoeira Paulista (SP), foi um momento de celebrar uma grande conquista para o sacerdote que tem despertado a fé no coração de muitos brasileiros.

Pela venda de mais de 150 mil cópias, padre Fábio recebeu das mãos da missionária e cantora da Canção Nova, Salete Ferreira, o CD de platina do disco “Filho do Céu”. Um momento de celebração no evento que relembra as vitórias obtidas este ano: Hosana Brasil 2008.

Depois de cantar algumas canções e trazer mensagens de fé e confiança em Deus “que sempre está disposto a receber o filho de volta”, padre Fábio foi surpreendido pela homenagem feita por Salete, que falou de sua amizade com o sacerdote, iniciada há mais de 10 anos.


“Quando padre Fábio ainda era seminarista eu olhava para ele e pensava: ali está um grande potencial evangelizador”, testemunhou a cantora.

Antes de cantar com padre Fábio a canção que leva o nome do CD, “Filho do Céu”, a missionária da Canção Nova ressaltou o empenho do padre músico em prol da evangelização; e disse que gostaria de ter composto, ela mesma, essa canção. A música “Filho do Céu” fala do desejo de proclamar a filiação a Deus e, portanto, ao Céu.


sábado, 6 de dezembro de 2008

Como ter Fé no Sofrimento? - Pregação Hosana Brasil

Pregação Hosana Brasil - 06/12/08
Fonte : Site Canção Nova




O neurótico é aquele que perdeu a fé e tem medo de tudo e de todos. O neurótico é sempre limitado e deixa de fazer muitas coisas na vida porque o medo o paralisa. É um medo acentuado que virou doença. A fé não combina com medo!

Revista-se de uma couraça que o proteja. Acreditar em Deus não é acreditar em absurdos! A experiência de Deus é o cuidado com a experiência humana. Uma palavra bem dita tem o poder de expulsar as maldições!



O jeito mais bonito de transformar o mundo é quando Jesus ganha espaço em nossa consciência. A palavra que ordena o mundo é a Palavra de Deus, a qual funciona como uma matriz, com valores que vêm de Deus e nos propõe suportar os sofrimentos do mundo. As lutas são estabelecidas o tempo todo. A experiência do limite não pode ser tirada da realidade humana. Não há como você ir ao combate se estiver despreparado.

Não conseguiremos sobreviver se não tivermos fé! Não seja vítima de sua vida. Esteja munido de forças humanas, psíquicas e espirituais. Fortalecei-nos no Senhor! Assim, no momento em que a vida parecer insuportável, você terá como resistir. Quais foram as grandes batalhas que você enfrentou? Você venceu ou perdeu?

Não é vergonha fracassar, pois somos humanos. Não é vergonha passar pelos seus limites, vergonha é não os ver. A maturidade nos ensina a não buscar culpados.

Uma palavra profética é uma ‘palavra amorosa’! As palavras amorosas não são de bajulação. Amor que é amor fere. Assim como na atividade física a musculatura precisa sofrer micro lesões para endurecer, e futuramente não doer.

Ninguém nos escondeu que seria necessário a disciplina. Que nascemos de um jeito e morremos de outro. Se não expuser seu corpo ao exercício necessário, você sofrerá. Mas falo do despreparo da alma. Como reagir diante de uma vida que não deu certo? Como dar testemunhos da fé se não teve sofrimento? Ou no momento em que tenho que conviver com os meus limites e aprimorar o meu ser?

Assim como a ostra: “Ostra feliz não faz pérolas”. Ostras são moluscos, animais sem esqueleto, macias, que representam as delícias da gastronomia que podem ser comidas cruas. Como não têm defesas, são animais mansos e seriam presas fáceis. Então, para que isso não acontecesse, a sua natureza as ensinou a produzir casas duras para as proteger.
No fundo do mar, havia uma colônia de ostras felizes. Sabíamos que eram felizes porque dentro delas saía uma delicada melodia, uma música aquática, como se fosse um canto gregoriano. Todas cantando a mesma música, com a exceção de uma ostra solitária que fazia um solo solitário. As ostras felizes riam dela e diziam que ela não saía da depressão. Não era depressão. Havia entrado um grão de areia em sua carne que doía muito. Ela não conseguia se livrar deste grão de areia, mas conseguia se livrar da dor, em virtude de suas arestas e pontas que envolviam o grão com substâncias brilhantes. Enquanto tentava se livrar da dor, cantava seu canto triste. Um dia passou um pescador por ali e levou-as todas para sua casa e sua esposa fez uma sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, seu dente bateu em uma substância dura e brilhante: era uma pérola. Apenas a ostra sofredora faz pérolas.



Isso é verdade para as ostras e para os humanos. A resposta é que ela não se entregou porque foi capaz de transformar a tragédia em beleza. A felicidade é um dom que deve ser simplesmente gozado. Ela se basta, mas não se cria.

Na dor e na dificuldade de sua vida, você precisa encontrar um jeito nobre e diferente de os sentir. Esse cristianismo que não há sofrimento, não é humano. O cristianismo começa no Calvário! O Natal que vamos celebrar é trágico, revestido de beleza, mas é trágico porque um menino que não tinha onde morar e ninguém para o receber, nasce em uma manjedoura. ‘Jesus veio na dor’. Deus entra no mundo pela força da dor. Jesus é o nosso Rei, mas nunca se esqueça que o seu Rei é ‘coroado de espinhos’. Só poderemos reconhecer a glória de Deus se revestirmos a alma que nos assemelha aos artistas, de revestir o cotidiano de uma beleza nobre. Nunca podemos descobrir a beleza do sofrer se não revestirmos o nosso cotidiano de uma beleza nobre.

Porque você acha que as multidões andavam atrás de Jesus? Porque Jesus era especialista em revestir a tragédia de beleza.

O pessimismo nos faz arriar. O pessimismo é a forma mais simplória de suportar a vida, pois não requer o aperfeiçoamento humano. O amor fere.

Porque você acredita em Deus? Não sabemos dizer, só sabemos que no momento que mais nos sentimos frágeis, cremos em Deus. Alguma coisa nos leva além de nós mesmos e não aceito a opinião pessimista. Revista-se da couraça da justiça, do poder do bom senso aprimorado. É dia de celebrar a vitória!

Revista-se dos poderes de Deus e permita que Ele faça a pérola em você, na sua dificuldade! É dia de celebrar a vitória!

As pessoas que fazem diferença na sociedade são aquelas que o autor conseguiu transcrever as dores do mundo em poema.

Sabe o que está faltando para a nossa vida? Recordar-nos de que somos capazes.

Chega de humanos que dizem: ‘Eu não dou conta’. Não temos o direito de dizer que não damos conta se não tentarmos. Neste Hosana Brasil 2008 temos que ter essa consciência de recordar o que Deus nos fez e o que somos, pois “Somos vencedores”.

Chega de lamentar-se, Deus tem projetos maravilhosos para você!
Pe. Fabio de Melo




Transcrição: Eliziane Alves

Mensagem de Natal por Pe. Fábio de Melo

Mensagem de Natal por Pe. Fábio de Melo
Extraída da entrevista ao Vnwes em 02/12/08

Fonte: site Vnwes - Jornal eletrônico
através do site oficial Pe. Fábio de Melo



"O Natal é tempo de muita matéria, onde compramos muitas coisas, muitos presentes. Gostaria de desejar que nós descobríssemos que essa matéria é apenas um detalhe da festa. O presente mais bonito que poderíamos aferecer uns aos outros, é o que somos. O presente mais aprimorado que o "outro" merece receber, é o nosso coração cheio de amor."

Feliz Natal e que Deus nos abençoe sempre.
Pe. Fábio de Melo



Transcrição e adaptação: Blog "Amigo de Fé"

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A graça de ser só - Pe. Fábio de Melo

Fonte : Blog site oficial Pe. Fábio de Melo
A graça de ser só - 27/11

Ando pensando no valor de ser só. Talvez seja por causa da grande polêmica que envolveu a vida celibatária nos últimos dias. Interessante como as pessoas ficam querendo arrumar esposas para os padres. Lutam, mesmo que não as tenhamos convocado para tal, para que recebamos o direito de nos casar e constituir família.

Já presenciei discursos inflamados de pessoas que acham um absurdo o fato de padre não poder casar.

Eu também fico indignado, mas de outro modo. Fico indignado quando a sociedade interpreta a vida celibatária como mera restrição da vida sexual. Fico indignado quando vejo as pessoas se perderem em argumentos rasos, limitando uma questão tão complexa ao contexto do “pode ou não pode”.

A sexualidade é apenas um detalhe da questão. Castidade é muito mais. Castidade é um elemento que favorece a solidão frutuosa, pois nos coloca diante da possibilidade de fazer da vida uma experiência de doação plena. Digo por mim. Eu não poderia ser um homem casado e levar a vida que levo. Não poderia privar os meus filhos de minha presença para fazer as escolhas que faço. O fato de não me casar não me priva do amor. Eu o descubro de outros modos. Tenho diante de mim a possibilidade de ser dos que precisam de minha presença. Na palavra que digo, na música que canto e no gesto que realizo, o todo de minha condição humana está colocado. É o que tento viver. É o que acredito ser o certo.

Nunca encarei o celibato como restrição. Esta opção de vida não me foi imposta. Ninguém me obrigou ser padre, e quando escolhi o ser, ninguém me enganou. Eu assumi livremente todas as possibilidades do meu ministério, mas também todos os limites. Não há escolhas humanas que só nos trarão possibilidades. Tudo é tecido a partir dos avessos e dos direitos. É questão de maturidade.

Eu não sou um homem solitário, apenas escolhi ser só. Não vivo lamentando o fato de não me casar. Ao contrário, sou muito feliz sendo quem eu sou e fazendo o que faço.Tenho meus limites, minhas lutas cotidianas para manter a minha fidelidade, mas não faço desta luta uma experiência de lamento. Já caí inúmeras vezes ao longo de minha vida. Não tenho medo das minhas quedas. Elas me humanizaram e me ajudaram a compreender o significado da misericórdia. Eu não sou teórico. Vivo na carne a necessidade de estar em Deus para que minhas esperanças continuem vivas. Eu não sou por acaso. Sou fruto de um processo histórico que me faz perceber as pessoas que posso trazer para dentro do meu coração. Deus me mostra. Ele me indica, por meio de minha sensibilidade, quais são as pessoas que poderão oferecer algum risco para minha castidade. Eu não me refiro somente ao perigo da sexualidade. Eu me refiro também às pessoas que querem me transformar em “propriedade privada”. Querem depositar sobre mim o seu universo de carências e necessidades, iludidas de que eu sou o redentor de suas vidas.

Contra a castidade de um padre se peca de diversas formas. É preciso pensar sobre isso. Não se trata de casar ou não. Casamento não resolve os problemas do mundo.

Nem sempre o casamento acaba com a solidão. Vejo casais em locais públicos em profundo estado de solidão. Não trocam palavras, nem olhares. Não descobriram a beleza dos detalhes que a castidade sugere. Fizeram sexo demais, mas amaram de menos. Faltou castidade, encontro frutuoso, amor que não carece de sexo o tempo todo, porque sobrevive de outras formas de carinho.

É por isso que eu continuo aqui, lutando pelo direito de ser só, sem que isso pareça neurose ou imposição que alguém me fez. Da mesma forma que eu continuo lutando para que os casais descubram que o casamento também não é uma imposição. Só se casa aquele que quer. Por isso perguntamos sempre – É de livre e espontânea vontade que o fazeis? – É simples. Castos ou casados, ninguém está livre das obrigações do amor.
"A fidelidade é o rosto mais sincero de nossas predileções."
Pe. Fabio de Melo


Fonte : Blog site oficial Pe. Fábio de Melo

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Doação de órgãos - Programa de 13/11/2008



Fonte : Blog Direção Espiritual


Programa de 13/Novembro/2008.

Neste vídeo Pe. Fábio, juntamente com seu amigo Pe. Mário, falam sobre a visão da Igreja sobre a doação de órgãos. A Igreja incentiva a doação de órgãos, pois Cristo doou sua vida toda por amor à nós, para salvar nossa vida, e se nós temos condições de doar um órgão para salvar uma vida, devemos fazê-lo, doando também nossa vida pelo nosso irmão.

Eu espero - música

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Fonte: Blog direção Espiritual/Aol vídeo home

Programa de 27/Março/2008.

Se você soubesse o quanto é intenso no meu peito
O amor que eu tenho por você e o que guardo aqui dentro
Se você voltasse sempre, se houvesse intimidade
Certamente deixaria de implorar por outro amor
Na distância é tão difícil ser amigo de alguém
Olhe para mim, eu preciso lhe dizer

Que eu espero por você
E não me canso de esperar
A porta aberta vou deixar
Se quiser pode voltar
E eu espero por você
E não me canso de esperar
Meu coração se alegrará
Quando você se aproximar

Se você se aproximasse do meu peito transpassado
Se aos pés da cruz ficasse, saberia o que é o amor
Se o amor que me oferece é tecido de palavras
Eu lhe estendo os meus braços, mostro em gesto o que é o amor
Na distância é tão difícil ser amigo de alguém
Olhe para mim, eu preciso lhe dizer

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Humano demais - Música


Fonte: Blog Direção Espiritual


Eu fico tentando compreender
o que nos teus olhos pôde ver
Aquela mulher na multidão
Que já condenada acreditou
Que ainda havia o que fazer
que ainda restara algum valor
E ao se prender em teu olhar
por certo haveria de vencer


E assim fizeste a vida retornar aos olhos dela
E quem antes condenava se percebe pecador
Teu amor desconcertante
força que conserta o mundo
Eu confesso não saber compreender


Sou humano demais pra compreender
humano demais pra entender
Este jeito que escolheste de amar quem não merece
Sou humano demais pra compreender
humano demais pra entender
Que aqueles que escolheste e tomas pela mão
Geralmente eu não os quero do meu lado


Eu fico surpreso ao ver-te assim
trocando os santos por Zaqueu
E tantos doutores por Simão
alguns sacerdotes por Mateus
E, mesmo na cruz, em meio a dor
Um gesto revela quem tu és
Te tomas amigo do ladrão
só pra lhe roubar o coração


E assim foste o contrário, o avesso do avesso
E por mais que eu me esforce
Não sei bem se te conheço
Tu enxergas o profundo, Eu insisto em ver a margem
Quando vês o coração, Eu vejo a imagem

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Tudo é do Pai - Música



Fonte: You Tube por http://direcaoespiritual.blogspot.com

Eu pensei que podia viver por mim mesmo
Eu pensei que as coisas do mundo
Não iriam me derrubar

O orgulho tomou conta do meu ser
E o pecado devastou o meu viver

Fui embora, disse ao pai:
-dá-me o que é meu!
Dá-me a parte que me cabe da herança!
Fui pro mundo, gastei tudo, me restou só o pecado
E hoje eu sei que nada é meu
Tudo é do pai.

Tudo é do pai!
Toda honra e toda a glória,
É dele a vitória alcançada em minha vida.
Tudo é do pai!
Se sou fraco e pecador, bem mais forte é o meu senhor
Que me cura por amor!

Deus é Capaz - Música



Fonte : You Tube por http://direcaoespeiritual.blogspot.com


Letra
Deus é capaz de transformar tua vida
O impossível Ele fará porque és precioso aos Seus olhos
E se tiveres a coragem e a loucura de acreditar
Então irás provar que Ele pode muito mais

Deus é capaz de trocar reinos por ti
Abre mares para que possas atravessar
E se preciso fosse daria novamente a vida por ti
Deus só não é capaz de deixar de te amar

É preciso crer e se entregar sem medo
Ele nunca vai tirar a tua liberdade se não queres
Mas se te entregas sem reservas tua vida se transformará
Então irás provar que Ele pode muito mais...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O que da vida não se descreve...

Fonte: Blog oficial Padre Fábio de Melo
13/11
O que da vida não se descreve...


Eu me recordo daquele dia. O professor de redação me desafiou a descrever o sabor da laranja. Era dia de prova e o desafio valeria como avaliação final. Eu fiquei paralisado por um bom tempo, sem que nada fosse registrado no papel. Tudo o que eu sabia sobre o gosto da laranja não podia ser traduzido para o universo das palavras. Era um sabor sem saber, como se o aprimorado do gosto não pertencesse ao tortuoso discurso da epistemologia e suas definições tão exatas. Diante da página em branco eu visitava minhas lembranças felizes, quando na mais tenra infância eu via meu pai chegar em sua bicicleta Monark, trazendo na garupa um imenso saco de laranjas. A cena era tão concreta dentro de mim, que eu podia sentir a felicidade em seu odor cítrico e nuanças alaranjadas. A vida feliz, parte miúda de um tempo imenso; alegrias alojadas em gomos caudalosos, abraçados como se fossem grandes amigos, filhos gerados em movimento único de nascer. Tudo era meu; tudo já era sabido, porque já sentido. Mas como transpor esta distância entre o que sei, porque senti, para o que ainda não sei dizer do que já senti? Como falar do sabor da laranja, mas sem com ele ser injusto, tornando-o menor, esmagando-o, reduzindo-o ao bagaço de minha parca literatura?

Não hesitei. Na imensa folha em branco registrei uma única frase. "Sobre o sabor eu não sei dizer. Eu só sei sentir!"

Eu nunca mais pude esquecer aquele dia. A experiência foi reveladora. Eu gosto de laranja, mas até hoje ainda me sinto inapto para descrever o seu gosto. O que dele experimento pertence à ordem das coisas inatingíveis. Metafísica dos sabores? Pode ser...

O interessante é que a laranja se desdobra em inúmeras realidades. Vez em quando, eu me pego diante da vida sofrendo a mesma angústia daquele dia. O que posso falar sobre o que sinto? Qual é a palavra que pode alcançar, de maneira eficaz, a natureza metafísica dos meus afetos? O que posso responder ao terapeuta, no momento em que me pede para descrever o que estou sentindo? Há palavras que possam alcançar as raízes de nossas angústias?

Não sei. Prefiro permanecer no silêncio da contemplação. É sacral o que sinto, assim como também está revestido de sacralidade o sabor que experimento. Sabores e saberes são rimas preciosas, mas não são realidades que sobrevivem à superfície.

Querer a profundidade das coisas é um jeito sábio de resolver os conflitos. Muitos sofrimentos nascem e são alimentados a partir de perguntas idiotas.

Quero aprender a perguntar menos. Eu espero ansioso por este dia. Quero descobrir a graça de sorrir diante de tudo o que ainda não sei. Quero que a matriz de minhas alegrias seja o que da vida não se descreve...


Fonte: Blog oficial Padre Fábio de Melo

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Quando o sofrimento bater à sua porta - Sofremos demais por aquilo que é de menos.

Fonte - Site Canção Nova



Quando o sofrimento bater à sua porta
Sofremos demais por aquilo que é de menos





Sofrer é como experimentar as inadequações da vida. Elas estão por toda parte. São geradas pelas nossas escolhas, mas também pelos condicionamentos dos quais somos vítimas.

Sofrimento é destino inevitável, porque é fruto do processo que nos torna humanos. O grande desafio é saber identificar o sofrimento que vale a pena ser sofrido.

Perdemos boa parte da vida com sofrimentos desnecessários, resultados de nossos desajustes, precariedades e falta de sabedoria. São os sofrimentos que nascem de nossa acomodação, quando, por força do hábito, nos acostumamos com o que temos de pior em nós mesmos.

Perdemos a oportunidade de saborear a vida só porque não aprendemos a ciência de administrar os problemas que nos afetam. Invertemos a ordem e a importância das coisas. Sofremos demais por aquilo que é de menos. E sofremos de menos por aquilo que seria realmente importante sofrer um pouco mais.

Sofrer é o mesmo que purificar. Só conhecemos verdadeiramente a essência das coisas à medida que as purificamos. O mesmo acontece na nossa vida. Nossos valores mais essenciais só serão conhecidos por nós mesmos se os submetermos ao processo da purificação.

Talvez, assim, descubramos um jeito de reconhecer as realidades que são essenciais em nossa vida. É só desvendarmos e elencarmos os maiores sofrimentos que já enfrentamos e quais foram os frutos que deles nasceram. Nossos maiores sofrimentos, os mais agudos. Por isso se transformam em valores.

O sofrimento parece conferir um selo de qualidade à vida, porque tem o dom de revesti-la de sacralidade, de retirá-la do comum e elevá-la à condição de sacrifício.

Sacrifício e sofrimento são faces de uma mesma realidade. O sofrimento pode ser também reconhecido como sacrifício, e sacrificar é ato de retirar do lugar comum, tornar sagrado, fazer santo. Essa é a mística cristã a respeito do sofrimento humano. Não há nada nesta vida, por mais trágico que possa nos parecer, que não esteja prenhe de motivos e ensinamentos que nos tornarão melhores. Tudo depende da lente que usamos para enxergar o que nos acontece. Tudo depende do que deixaremos demorar em nós.

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Leia outros textos do mesmo autor
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Spinoza escreveu: “Percebi que todas as coisas que temia e receava só continham algo de bom ou de mau na medida em que o ânimo se deixava afetar por elas”. O filósofo tem razão. A alegria ou a tristeza só poderão continuar dentro de nós à medida que nos deixamos afetar por suas causas. É questão de escolha. Dura, eu sei. Difícil, reconheço. Mas ninguém nos prometeu que seria fácil.

Se hoje a vida lhe apresenta motivos para sofrer, ouse olhá-los de uma forma diferente. Não aceite todo esse contexto de vida como causa já determinada para o seu fracasso. Não, não precisa ser assim.

Deixe-se afetar de um jeito novo por tudo isso que já parece tão velho. Sofrimentos não precisam ser estados definitivos. Eles podem ser apenas pontes, locais de travessia. Daqui a pouco você já estará do outro lado; modificado, amadurecido.

Certa vez, um velho sábio disse ao seu aluno que, ao longo de sua vida, ele descobriu ter dentro de si dois cães – um bravo e violento, e o outro manso, muito dócil. Diante daquela pequena história o aluno resolveu perguntar- E qual é o mais forte? O sábio respondeu – O que eu alimentar. O mesmo se dará conosco na lida como os sofrimentos da vida. Dentro de nós haverá sempre um embate estabelecido entre problema e solução. Vencerá aquele que nós decidirmos alimentar...

Padre Fábio de Melo

Padre Fábio de Melo é professor no curso de teologia, cantor, compositor, escritor e apresentador do programa "Direção espiritual" na TV Canção Nova.

11/11/2008 - 10h00

Fonte - Site Canção Nova

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Entrevista com Padre Fábio de Melo - Site Canção Nova


Entrevista com padre Fábio de Melo
Site Canção Nova - Portal Entrevistas
03/11/08



"A felicidade não é o resultado da 'casa final', mas a alegria de saber que você a está construindo"(Padre Fábio de Melo)


As múltiplas faces do sofrimento, sua natureza e a importância de assumi-lo são os assuntos abordados por padre Fábio de Melo em seu mais recente livro "Quando o sofrimento bater à sua porta". De acordo com o sacerdote, o sofrimento é destino inevitável, por ser fruto do processo que nos torna mais humanos.

O escritor, pregador, professor e músico ressalta que a obra não visa retirar a dor das pessoas, mas é uma forma de ajudá-las a encontrar um caminho, porque "ao sofrer de um jeito certo, sofremos menos, pois descobrimos uma sabedoria para lidar com a dor", destaca.

Nesta entrevista, ele também conta qual o significado da palavra "sofrimento" e "sacrifício" na vida de um sacerdote e o porquê de o homem moderno ser vítima de tantos infortúnios.
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cancaonova.com: Por que o senhor escolheu o sofrimento como tema deste livro?

Padre Fábio: Talvez porque eu tenha um contato tão direto com ele. Ser padre é, de alguma forma, ser psicólogo, porque as pessoas me procuram para contar suas dores. Escrever um livro falando disso é uma forma de fazer justiça, de fazer as pessoas buscarem caminhos que possam ajudá-las a sofrer com qualidade. O livro não retira o sofrimento de ninguém, mas é uma forma de ajudar as pessoas a encontrar um caminho, porque, ao sofrer de um jeito certo, sofremos menos, pois descobrimos uma sabedoria para lidar com a dor.O sofrimento é uma espécie de inadequação; toda vez em que eu o experimento é porque existe alguma coisa inadequada dentro de mim. Eu compreendo que o sofrimento seja uma das causas de derrota para as pessoas, porque, nem sempre, conseguimos sofrer de um jeito certo. Por isso, eu quis refletir sobre isso; nem é tanto porque nós sofremos, mas como sofremos.




cancaonova.com: Por que a dor, o sofrimento e as tragédias ganham tanta relevância e destaque na mídia?

Padre Fábio: Quando vemos um sofrimento estampado na televisão, nós reconhecemos uma dor que é nossa também, ou, então, quase uma espécie de indignação ao ver os caminhos do mundo, as escolhas que fazemos e como vamos construindo a própria experiência de viver. Por isso, o sofrimento será sempre uma notícia que vai nos causar alarde; é o momento em que nós reconhecemos a crueza da nossa humanidade. As pessoas são mais destaque quando elas são sofridas, principamente quando conseguem dar um significado bonito ao sofrimento e fazem dele uma uma fonte de transição. Aí essa pessoa realmente entra na história, porque ela se diferencia do contexto das pessoas comuns.




cancaonova.com: Diante de tanto sofrimento que a vida nos impõe, o senhor acredita que é possível sermos realmente felizes?

Padre Fábio: O tempo todo. Acho que a felicidade é uma espécie de susto; quando você vê, já aconteceu. Ela é justamente uma construção pequena de todos os dias. É como se estivéssemos fazendo uma casa que, a cada dia, precisamos fazer mais um pouquinho. A felicidade não é o resultado da "casa final", mas a alegria de saber que você a está construindo. É isso que nos faz felizes. Muitas vezes, nós não nos sentimos felizes porque compreendemos que a felicidade é um destino final, mas não o é; é o processo que nos realiza.



cancaonova.com: Não corremos o risco de nos tornar masoquistas ao pensar que o sofrimento é bom?

Padre Fábio: Não creio. Eu acredito que não se trata de correr atrás do sofrimento, mas de acolhê-lo do jeito certo. Há sofrimentos que nos redimem e sofrimentos que nos destroem. O sofrimento, em si, é ruim, ele não é benéfico; mas, a partir do momento em que ele aponta para uma melhora, ele vira uma bênção para nossa vida.




cancaonova.com: Em seu livro, o senhor fala muito sobre limites. O que impulsiona o ser humano a buscar sempre a superação de seus limites?

Padre Fábio: Todo ser humano que tem boa consciência do limite é um ser humano que está num processo de aperfeiçoamento.Eu sei que tenho limites, mas eu os respeito; não tenho medo deles. Então, a partir disso, estabeleço metas de superação e, quando consigo isso, o limite deixa de me condicionar. Eu continuo limitado, mas não estou condicionado a ele [limite], porque eu consegui uma possibilidade boa de lidar com as coisas que me limitam.



cancaonova.com: Qual o grande sofrimento do homem moderno?

Padre Fábio: A experiência de ser "líquido". Um sociólogo polonês faz uma análise muito interessante das realidades modernas e contemporâneas a partir da realidade líquida. Ele afirma que o grande sofrimento do ser humano, nos dias de hoje, é justamente sentir-se temporário demais, ele passa muito rápido e isso faz com que ele se experimente ainda mais limitado. É tudo mais difícil nos dias de hoje, como segurar os relacionamentos do mundo atual, justamente porque está tudo muito "líquido", muito rápido. E quando essa estrutura de mundo se volta contra nós, não sabemos como reagir, porque criamos um estrutura de mundo rápida, muito em série. Mas, na verdade, o ser humano deseja viver de maneira artesanal, ele quer um amor para si, ele quer um espaço que seja dele. No entanto, infelizmente, o mundo tem ameaçado tudo isso, sobretudo no que diz respeito à estabilidade dos relacionamentos.



cancaonova.com: Qual o significado da palavra sofrimento e sacrifício na vida de um sacerdote?
Padre Fábio: As palavras "sacrifício" e "sofrimento" são muito próximas, sacrificar é você se tornar santo, é você tirar do contexto do profano e colocá-lo no lugar do sagrado; sacrifício é isso, algo que é profano vai ficar santo. Sofrimento é isso também, é eleger uma matéria pela qual nós queremos nos sacrificar. Acho que na minha vida o sofrimento entra assim como uma realidade que me sacrifica. Assim, eu descubro nos sofrimentos que eu enfrento uma forma de alcançar a santidade tão desejada.



cancaonova.com: Como conscientizar as pessoas de que é possível olhar o sofrimento de uma maneira diferente?
Padre Fábio: Abrindo a cabeça delas, porque a conversão passa pela nossa cabeça. Dizem que Deus mudou o nosso coração, mas, na verdade, o que Ele muda é a nossa forma de pensar. O ser humano verdadeiramente convertido é aquele que está pensando diferente, está pensando como Deus. O Cristianismo tem essa pretensão. No momento em que eu modifico minha maneira de interpretar a dor e o sofrimento, eu começo a adentrar a mística do Cristianismo. Não é uma apologia ao sofrimento, mas uma resignificação dele. Jesus, ao morrer por uma causa, nos ensina que quando sofremos por aquilo que amamos, nós estamos crescendo como pessoa. Eu acho que essa é a pretensão: ajudar as pessoas a serem capazes de crescer e amadurecer a partir do que elas amam e que, para elas, é sagrado.


Eu, quando visto pelo outro.

Eu, quando visto pelo outro.

Quem sou eu? Eu vivo pra saber. Interessante descoberta que passa o tempo todo pela experiência de ser e estar no mundo. Eu sou e me descubro ainda mais no que faço. Faço e me descubro ainda mais no que sou. Partes que se complementam.


O interessante é que a matriz de tudo é o "ser". É nele que a vida brota como fonte original. O ser confuso, precário, esboço imperfeito de uma perfeição querida, desejada, amada.

Vez em quando, eu me vejo no que os outros dizem e acham sobre mim. Uma manchete de jornal, um comentário na internet, ou até mesmo um email que chega com o poder de confidenciar impressões. É interessante. Tudo é mecanismo de descoberta. Para afirmar o que sou, mas também para confirmar o que não sou.

Há coisas que leio sobre mim que iluminam ainda mais as minhas opções, sobretudo quando dizem o absolutamente contrário do que sei sobre mim mesmo. Reduções simplistas, frases apressadas que são próprias dos dias que vivemos.

O mundo e suas complexidades. As pessoas e suas necessidades de notícias, fatos novos, pessoas que se prestam a ocupar os espaços vazios, metáforas de almas que não buscam transcendências, mas que se aprisionam na imanência tortuosa do cotidiano. Tudo é vida a nos provocar reações.

Eu reajo. Fico feliz com o carinho que recebo, vozes ocultas que não publico, e faço das afrontas um ponto de recomeço. É neste equilíbrio que vou desvelando o que sou e o que ainda devo ser, pela força do aprimoramento.


Eu, visto pelo outro, nem sempre sou eu mesmo. Ou porque sou projetado melhor do que sou, ou porque projetado pior. Não quero nenhum dos dois. Eu sei quem eu sou. Os outros me imaginam. Inevitável destino de ser humano, de estabelecer vínculos, cruzar olhares, estender as mãos, encurtar distâncias.

Somos vítimas, mas também vitimamos. Não estamos fora dos preconceitos do mundo. Costumamos habitar a indesejada guarita de onde vigiamos a vida. Protegidos, lançamos nossos olhos curiosos sobre os que se aproximam, sobre os que se destacam, e instintivamente preparamos reações, opiniões. O desafio é não apontar as armas, mas permitir que a aproximação nos permita uma visão aprimorada. No aparente inimigo pode estar um amigo em potencial. Regra simples, mas aprendizado duro.

Mas ninguém nos prometeu que seria fácil. Quem quiser fazer diferença na história da humanidade terá que ser purificado neste processo. Sigamos juntos. Mesmo que não nos conheçamos. Sigamos, mas sem imaginar muito o que o outro é. A realidade ainda é base sólida do ser.


Fonte : Blog - Site Padre Fabio de Melo

sábado, 1 de novembro de 2008

O sucesso do padre Fábio de Melo - Entrevista FOI DEUS QUE FEZ VOCÊ - o Globo Online (Caderno ELA)

Reproduzo aqui na íntegra as respostas do padre Fábio de Melo dadas para a entrevista FOI DEUS QUE FEZ VOCÊ publicada hoje no Caderno ELA.
por Bety Orsini
fonte : Globo On Line


PERGUNTA - Qual sua data de nascimento?
RESPOSTA - 03 de abril de 1971.

PERGUNTA - Qual o nome de seus pais, onde moram? Você é filho único? Se não for, quantos irmãos tem e o que eles fazem?
RESPOSTA - Meu pai Dorinato e minha mãe Ana. Meu pai já é falecido e minha mãe continua morando em Formiga, MG. De oito filhos sou o caçula.

PERGUNTA - Quando saiu de casa para ingressar na vida religiosa? O que seus amigos e familiares acharam da sua escolha naquela época? Foi difícil convencê-los que era uma missão?
RESPOSTA - Ficaram assustados, mas nunca deixaram de me apoiar.

PERGUNTA - O senhor é da mesma cidade que um festejado escritor brasileiro famoso radicado no Rio, Silviano Cavalcanti. Vocês se conhecem? Já leu os livros dele? Se leu, o que acha deles?
RESPOSTA - Silviano Santiago não é só um grande escritor, mas também um dos maiores críticos literários do nosso país. Um homem brilhante que eu acompanho desde a minha adolescência, quando despertei o gosto pela literatura. Não o conheço pessoalmente, mas conheço sua obra. Já li "Vale quanto pesa" "Uma literatura nos trópicos" " Herança" e a belíssima obra "Em liberdade", em que o autor investiga a alma de Graciliano Ramos após a experiência do cárcere.

PERGUNTA - A fé a a música: qual das duas tem maior importância na sua vida? E qual delas chegou primeiro na sua vida?
RESPOSTA - Fé é uma espécie de sustento. Eu não consigo pensar o que sou, o que faço sem pensar no que creio. As minhas ações são desdobramentos de minhas convicções de fé.

PERGUNTA - Seus 10 discos anteriores venderam quantas cópias?
RESPOSTA - Não sei ao certo. O que sei é que todos eles são discos de ouro e uns quatro deles são discos de platina.

PERGUNTA - Pq mudou para a gravadora LGK- Som Livre?
RESPOSTA - Pela oportunidade de amplificar a divulgação do trabalho. Eu acredito que a evangelização precisa estabelecer pontes com a cultura. Estar numa gravadora que extrapola o mercado religioso é uma forma de fazer isso.

PERGUNTA - Este disco tem alguma diferença marcante dos outros?
RESPOSTA - Cada cd é uma história, pois nasce de um contexto diferente.

PERGUNTA - Pela primeira vez o cantor Fabio Jr. autorizou outra pessoa a gravar "Pai". O senhor conhece o cantor? Ele é seu fã?
RESPOSTA - Não o conheço. Admiro muito o trabalho dele. A música "Pai" é de uma sensibilidade incrível. Retrata a saudade a partir do cotidiano. "Senta aqui que o jantar está na mesa" Este convite é lindo. A mesa é o lugar da intimidade, da devolução. O Fábio é um artista completo. Sua obra já entrou para história. É um dos artistas mais bem sucedido do país.

PERGUNTA - Pq padre Zezinho incentivou-o na carreira musical?
RESPOSTA - Porque é impossível falar de música católica sem nos reportarmos à sua obra. Ele é o grande precursor de tudo o que hoje experimentamos.

PERGUNTA - O senhor tem livros publicados, fale um pouquinho sobre cada um deles.
RESPOSTA - Tempo, saudades e esquecimentos - O cotidiano como lugar de revelação - Ed Paulinas. É um livro de crônicas que pretende trabalhar algumas questões teológicas a partir do cotidiano.
1 - Amigo- Somos muitos, mesmo sendo dois - Ed Gente. É um livro de frases e fotos que fala de amizade.
2 - Quem me roubou de mim? O seqüestro da subjetividade e o desafio de ser pessoa. - Ed Canção Nova. Fala das relações que despersonalizam.
3 - Mulheres de aço e de flores. Ed Gente. Minha primeira obra de literatura. São contos que exploram o universo feminino.
4 - Quando o sofrimento bater à sua porta. Ed Canção Nova. É um livro que aborda a questão do sofrimento na vida humana.

PERGUNTA - Quais os seus autores preferidos?
RESPOSTA - Adélia Prado, Guimarães Rosa, Machado de Assis, Drumonnd de Andrade, Mia Couto, Gabriel Garcia Marques. Andrés Torres Queiruga. São tantos...


PERGUNTA - Quais os livros que recomendaria para uma pessoa?
RESPOSTA - Cem anos de solidão, do Gabriel Garcia Marques. E toda a obra da Adélia Prado.

PERGUNTA - Como é o seu dia-a-dia?
RESPOSTA - Comum. Viajo muito, mas independente do lugar em que estou faço minha rotina simples. Leitura, oração, trabalho e atividade física.


PERGUNTA - O jovem é seu público principal? O senhor já se deu conta de que é um grande exemplo para os jovens? Como lida com essa responsabilidade?
RESPOSTA - Eu sempre digo que quanto maior é a vida pública de um homem maior é sua responsabilidade.

PERGUNTA - Como vê o mundo atual?
RESPOSTA - O sociólogo polonês Zygmunt Bauman faz uma análise do mundo a partir do conceito de líquido. Concordo com ele. A época em que vivemos é marcada pela insegurança. Tudo flui com muita rapidez. Estamos protagonizando o tempo do descartável. Os vínculos duradouros estão cada vez mais raros. Com isso estamos mais inseguros, medrosos, afinal todo ser humano anseia por um porto seguro.

PERGUNTA - O senhor acha que o canto pode cumprir a mesma missão que o rito religioso?
RESPOSTA - A música nasceu num contexto religioso. A música é naturalmente religiosa, pois nos religa, nos recompõe. A arte é redentora. Ela nos resgata, nos eleva.


PERGUNTA - Como o senhor vê a situação dos Estados Unidos atualmente?
RESPOSTA - Estão sofrendo o processo natural que toda grande potência vive. Eles quiseram controlar o mundo. Dispensaram tempo e dinheiro para estabelecerem uma hegemonia, mas chegou a hora de cuidar dos problemas internos. Viveram durante muito tempo querendo colocar ordem no mundo, mas perderam a própria ordem. É aquela velha história. Há pessoas que se preocupam demais com a vida dos vizinhos e se esquecem de cuidar da própria vida.


PERGUNTA - E o Brasil, qual o remédio para a violência que assola o nosso país?
RESPOSTA - O único jeito de diminuir a violência no país é criando um modelo de Educação mais eficaz. A Educação é a solução para muitos problemas do mundo, e no Brasil não é diferente.


PERGUNTA - O senhor acha que só a fé pode salvar o ser humano ou o conhecimento também salva?
RESPOSTA - Fé e conhecimento andam de mãos dadas. A fé só tem sentido se for para gerar um jeito coerente de ser gente. O que creio torna-se uma forma de mentalidade. Por isso a palavra conversão pode ser compreendida como "metanoia", que em grego significa mudança de mentalidade. Um pensamento sensato, bem arquitetado, coerente, fruto de uma fé madura pode ser instrumento de salvação. É salvação histórica, pois confere ao ser humano a possibilidade de se realizar como pessoa.


PERGUNTA - Qual o escritor que mais tem contribuido para a evolução do ser humano?
RESPOSTA - Ainda continuo acreditando que a palavra de Jesus é a matriz de todo bom pensador.


PERGUNTA - O que o senhor acha do fato de o Dalai Lama ter desistido de tentar negociar com o governo da China mais autonomia para o Tibet diante da falta de resposta positiva de Pequim? Um líder religioso pode desistir?
RESPOSTA - Um líder religioso também se cansa. O importante é a gente não perder de vista a esperança. Ele tem motivos que nós não conhecemos. Uma coisa é certa. Ele ainda espera...


PERGUNTA - Um político americano processou Deus atribuindo a ele toda a violência do mundo. Perdeu e diz que vai recorrer. O que o senhor acha da atitude dele?
RESPOSTA - É interessante, mas não é raro a gente encontrar pessoas que queiram culpar a Deus pelas desgraças do mundo. É um jeito de se eximir de responsabilidades. Eu não tenho o direito de pedir a Deus que faça um círculo ser quadrado. Deus não fere a ordem de nossas escolhas. E não há escolha que não tenha desdobramento. A violência no mundo não é fruto de forças superiores, sejam elas divinas ou diabólicas. A violência no mundo é o fruto que plantamos. É a semente que jogamos no chão. Eu pergunto, se semeei limão tenho o direito de colher laranjas? Não creio. Atribuir a Deus a culpa e o resultado de nossas escolhas infelizes é tão desonesto quanto atribuir ao Diabo o motivo de nossas maldades. Somos livres para escolher o que queremos. Nem Deus, nem o Diabo nos obriga a absolutamente nada. Tudo é escolha humana. A sabedoria consiste em prestar atenção no que estamos elegendo no dia de hoje, porque mais cedo ou mais tarde o resultado virá.


PERGUNTA - O senhor já fez psicanálise? O que acha da psicanálise? Acha que a fé pode substitui-la? Acha que a psicanálise fallhou?

RESPOSTA - Não sou psicanalista para dizer nada a respeito. Prefiro acreditar que todo processo terapêutico será bem vindo à medida em que ajudar o ser humano a se tornar mais responsável diante da vida. Precisamos de terapias que nos amadureçam e que nos ajudem a viver com qualidade. Fico assustado com a facilidade com que as pessoas desistem de seus projetos. Encontro muitas pessoas que não querem sacrifícios. Esperam que a felicidade caia do céu, sem nenhuma demanda de esforço pessoal. Nem a fé, nem a Psicanálise são fórmulas mágicas. As duas realidades requerem esforços e luta pessoal.



PERGUNTA - Algumas pessoas acham que a fé é um impecilho para que o homem conheça a si mesmo. O que o senhor acha disso?
RESPOSTA - Acho estranho, afinal ninguém pode viver fora do contexto da fé. Não falo de uma fé religiosa, confessional. Falo da fé que nos move para a vida, que nos enche de esperanças e que nos faz acreditar numa possibilidade de mudar o que somos.
Veja bem. A primeira experiência de fé realizamos é a fé humana. E neste caso, até um ateu tem fé. Pode não ter fé em Deus, mas tem fé nas realidades humanas. Ninguém vive fora da experiência da fé. Se eu tomo um suco num restaurante estou movido por uma confiança de que o suco não está envenenado. O que isso pode fazer mal a uma pessoa? Confiar é impecilho para que algo de bom nos aconteça? Não creio, mesmo porque a Psicologia nos ensina que uma pessoa é mais segura de si mesma à medida em que foi verdadeiramente amada por alguém. E aí eu pergunto: O amor não é um desdobramento da fé?


PERGUNTA - Quais as grandes emoções que o senhor teve na vida religiosa?
RESPOSTA - Minha maior alegria é quando escuto alguém dizer que o meu trabalho lhe fez ser alguém melhor... Só por isso já valeu ter vivido.


quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Vida - Pe. Fábio - Hallel Canção Nova 2008




Fonte: You Tube por http://direcaoespiritual.blogspot.com



Letra - Vida




Pelas ruas da cidade, pessoas andam no vai e vem

Não vêem o cair da tarde, dando os seus passos como um refém

De uma vida sem saída, vida sem vida, mal ou bem


Pelos bancos desses parques ninguém se toca sem perceber


Que onde o sol se esconde o horizonte tenta dizer


Que há sempre um novo dia, a cada dia um novo em cada ser




Não é preciso uma verdade nova, uma aventura,


Para encontrar nas luzes que se acendem um brilho eterno


E dar as mãos e dar de se além do próprio gesto


E descobrir feliz que o amor esconde outro universo




Pelos becos pelos bares pelos lugares que ninguém vê


Há sempre alguém querendo


Uma esperança sobreviver


Cada rosto é um espelho


De um desejo de ser de ter




Não é preciso uma verdade nova, uma aventura,


Para encontrar nas luzes que se acendem um brilho eterno


E dar as mãos e dar de se além do próprio gesto


E descobrir feliz que o amor esconde outro universo




Cada rosto é um espelho


De um desejo de ser de ter




Talvez quem sabe por essa cidade passe um anjo


E por encanto abra suas asas sobre os homens


E ter vontade de se dar aos outros sem medida


A qualidde de poder viver vida viva


Vida Vida

Música Tudo Posso - Show Lançamento Cd Vida





Fonte : You Tube por http://direcaoespiritual.blogspot.com



Letra da Música (maravilhosa!!)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Acampamento de Oração - "Quando o sofrimento bater a sua porta" - Vire a página (19/10/08)





Vire a página

Padre Fábio de Melo


Foto: Robson Siqueira/CN








Lembro-me do meu primeiro caderno, de como era feio. Descobri que era pobre quando fui à escola e vi que minha caixa de lápis de cor tinha 12 lápis e a do meu amiguinho do lado tinha 36. Lembro-me que o único luxo que meu pai me deu, foi uma merendeira com formato de elefante.



Meu primeiro dia de aula foi terrível, eu tremia como 'vara verde' e a dona Rosângela, minha primeira professora que era a melhor da época, cuidou de mim. Naquele momento, diante de toda a situação, eu sentei, dobrei minhas pernas e fiz xixi nas calças. A professora ao perceber, disse que eu teria que ir para casa. No segundo dia aconteceu a mesma coisa, e assim também no terceiro. Eu até já ficava feliz porque sabia que teria que voltar para casa.



Mas, neste terceiro dia fui surpreendido. Ao fazer o xixi nas calças a professora disse que eu não iria para casa, pois minha mãe tinha dado uma cueca reserva caso acontecesse de novo.



O momento da escola para mim era terrível, e eu queria fugir do sofrimento, não queria enfrentá-lo. Na escola eu tinha pavor de matemática por que eu a encarava como maior que eu. Quando tinha medo de alguma coisa, eu não a enfrentava. E quanto mais não enfrentava, mais medo tinha daquilo.



Se existe alguma coisa que lhe mete medo, respeita, mas não deixe que o medo se torne determinante, por que senão você será eternamente prisioneiro deste medo. Muitas vezes o nosso sofrimento é duplicado dentro de nós por que nos entregamos à experiência do medo, e não devemos ter medo, devemos enfrentá-lo. Se diante do sofrimento eu não o enfrentar, ficarei agarrado à saia da mãe eternamente.



Seja honesto com os medos que você sente. Seja honesto com aquilo que merece a sua atenção. Você pode estar perdendo tempo na vida por que está dando atenção àquilo que não merece. A nossa vida às vezes está uma bagunça danada por que não a pontuamos direito, e acaba sendo como um texto mal pontuado que não pode ser bem compreendido. A nossa vida deve ser bem pontuada.



Uma "exclamação" no nosso rosto faz falta. Quantas brigas surgem por pessoas que não conseguem pôr uma exclamação na cara? Nós temos o direito de ter nossos momentos de baixa, mas não podemos nos deixar dominar por estes momentos, devemos nos colocar cheios de esperança mesmo diante dos sofrimentos que estão diante de nós! Muitos sofrimentos da nossa vida teriam sido evitados, solucionados, se a gente tivesse perguntado antes, se tivéssemos conversado antes com as pessoas que estão à nossa volta.



O sofrimento muitas vezes só vai embora no momento em que chegam pessoas em nossas vidas. Às vezes o que falta nos relacionamentos é a capacidade de perceber o outro. Nossa capacidade de perceber o outro está tão prejudicada por vivermos na pressa, que não percebemos as pessoas. Nós vivemos na pressa e nossa vida vai ficando vazia.





Foto: Robson Siqueira/CN

'Talvez você precise "virar a página"! ', diz Padre Fábio




Quanto sofrimento se estende em nossas vidas porque não sabemos pôr um ponto final nas coisas? Temos que ter a coragem de pôr este ponto final em muitas coisas em nossas vidas. Por exemplo: nos vícios. Conheci um rapaz que com 38 anos estava morrendo de câncer por que não soube pôr um ponto final em seu vicio. Deixou seus filhos e esposa, pois fumou desde os 12 anos.



Se eu matar a minha saúde, se me matar antes do tempo não for pecado, então eu não sei mais o que é pecado. O interesse das indústrias é que tenham cada vez mais viciados, pois um viciado não tem controle. O sofrimento humano está sendo gerado a partir do momento em que os vícios crescem você tem que ter coragem de jogar fora estas pequenas doses de morte que você coloca em sua própria vida.




Padre Léo uma vez me dizia: “Meu filho, eu nunca pedi a Deus que me curasse do meu câncer, por que seria muito injusto eu plantar limão e querer colher outra coisa. Eu fumei a vida inteira. Então, eu peço a Ele que me ensine a morrer do jeito certo”. Se eu não faço minha parte, eu me pergunto: será que é honesto eu pedir que Deus faça a parte Dele, se eu não faço a minha? Ele já fez a parte Dele nos dando a vida, precisamos fazer a nossa parte!



Há enfermidades que não buscamos, mas há tantas outras que a gente costura, que a gente busca. Como terei saúde boa se não tiver uma boa alimentação? Como é que terei saúde espiritual se eu não busco coisas boas? Um dia eu aprendi muitas lições na escola, mas hoje vejo que tudo aquilo que aprendi também é Evangelho. Deus pode, e eu tenho que poder com Ele, tome uma atitude a partir de hoje.




Deus é dinâmico e precisamos ser também. Olha quanta coisa perdemos na nossa vida por que somos lerdos. Se nós entrarmos no dinamismo da graça, ninguém nos segura! Vá à mesma velocidade que Deus está! Ele não perde tempo, Ele ama a toda hora. Se você tem que perdoar, perdoe hoje! Tenha pressa de ser feliz, pois não sabemos quanto tempo nos resta. Tenha pressa de se reconciliar com as pessoas que você ama, tenha pressa em fazer uma atividade física, tenha pressa em amar, tenha pressa em querer a vida, pois não sabemos quanto tempo ainda temos.


Onde será o ponto final, a vírgula, o ponto de interrogação ou de exclamação que você deve colocar em sua vida? Talvez você precise "virar a página"! Deixe que Deus fale ao seu coração, para que você saiba o que realmente deve fazer em sua vida.




Transcrição e adaptação: Flávio Costa



Fonte : Site Canção Nova

Acampamento de Oração - Quando o sofrimento bater a sua porta

Quando o sofrimento bater à sua porta - 19/10/08

Padre Fábio de Melo

Foto: Robson Siqueira






O Evangelho escolhido foi o da Ressurreição de Lázaro, um grande amigo de Jesus. Estar em Betânia e estar com os amigos de Betânia era uma forma de Jesus curar e restaurar as forças. Jesus sofreu muito porque amou muito. Quanto maior estivermos ligados às pessoas, mais sofreremos. Mas não construa cercas. Tenha essa sensibilidade diante do sofrimento. Era isso que Jesus ia buscar em Betânia: consolo em amigos verdadeiros.






Quando Ele chegou em Betânia já faziam 4 dias que Lázaro estava morto. Não podiam fazer mais nada, mas para Jesus não havia tempo e Ele foi ter com o morto. Jesus era muito humano. Quando Ele chega, tampa o nariz pois a situação estava ‘podre’. Mas, movido pelo amor àquele homem diz: ‘Vem Lázaro’.






Na verdade, Jesus queria nos mostrar que a morte não foi feita para nós. Um dia, todos nós iremos morrer, isso é fato, mas Jesus está falando de outra morte e quer nos propor a ressurreição. Se olharmos somente para a pedra posta no sepulcro, não haverá nenhuma esperança, e nos desesperaremos porque a pedra é imóvel. Se ficarmos olhando para a pedra, ficaremos fixados ali, no mesmo lugar, e não é isso que Jesus quer. “Lázaro vem para fora”. Quantas vezes experimentamos estar no sepulcro, que é um lugar escuro e que cheira mal? Mas, se deixarmos essa pessoa ficar lá muito tempo, não a encontraremos do mesmo jeito, pois ela entrou em processo de decomposição. É um lugar de silêncio e não há mais nada, terminou.






Agora, se olhamos a morte como um lugar de transição, daí sim, ele fica cheio e revestido de esperança. Quantas vezes você já morreu?






Estamos ressuscitando todos os dias. A cigarra fica um ano debaixo da terra para cantar somente um dia. Um ano se preparando para cantar até se arrebentar. O sofrimento é isso, um tempo de preparo. Louvado seja Deus pelos sofrimentos.






Todos os artistas compõem maravilhosas obras quando estão sofrendo, e toda vez que tocamos nos nossos limites, vamos além. Compomos música, pintura, criamos vida e caráter. Você pode estar se perguntando: "Mas eu não sou artista, e aí?" Você pode desenhar a sua alma, pode esculpir o seu caráter.






A cigarra não fica debaixo da terra por motivo de masoquismo. Não. É um tempo de preparo existencial da natureza. Quando você perceber que o seu sofrimento está infértil, é o tempo de parar de sofrer. Quando começamos a derramar as lágrimas, é o processo de cura que está nos lavando e purificando. Quanto tempo pode durar um velório dentro de nós? O sepultamento do corpo tem que iniciar um processo de amizade com a vida. O sofrimento é criado dentro de nós. O velório não é uma situação de morte. O que fazemos com o ruim que aconteceu conosco? Não importa o que a vida fez com você, mas o que você faz com o que a vida fez com você. Não temos como evitar o desprezo do outro, vão acontecer coisas que não vamos gostar, mas somos nós que vamos ver quanto custa esse sofrimento.






Boa parte dos sofrimentos do ser humano está naquilo que nós pensamos e permitimos em nosso pensamento. Se racionalizarmos a nossa emoção, nós não sofreríamos.








Foto: Robson Siqueira

Não há problema que resista a uma pessoa transformada por Deus.









Neutralizar o pensamento do sofrimento é lançar um pensamento bom em cima de um pensamento ruim. Quantas pessoas sofrem por não ter a capacidade de filtrar as coisas ruins que falam conosco. Não tenho direito desses sentimentos mesquinhos que paralisam o mundo. Não temos o direito de ser mesquinhos por querer ser o que o outro é. Não tenha inveja. Floresça onde Deus o plantou.






Há pessoas invejosas por querer ser o que você é. Que não são capazes de olharem o que elas realmente são. Pare de olhar para a vida do outro, pois você não tem os valores que ela tem, mas você tem valores que ela não tem. Temos que ter nossa coerência e nosso modelo. Liberte-se dessas idéias pessimistas sobre você mesmo, você é capaz.






A ordem de Jesus: “Pare de ficar neste sepulcro e venha viver”. Estamos em horário do cristão: Está na hora de viver! Você não tem o direito de ficar no túmulo com seus problemas e lutos. O tempo previsto para o sofrimento tem data marcada para terminar, já passou, chega! Faça alguma coisa pela sua vida! Só sofra de verdade pelas coisas que valem à pena. Quantas pessoas que não sofreram o que deveriam sofrer? Esse tempo é curto e é maravilhoso descobrir que hoje temos a oportunidade de escutar a voz de Jesus dizendo que não quer mais a morte para a nossa vida. Deus está segurando na nossa mão.






Se você está sofrendo muito, permita que Jesus cuide de você. Revolucione sua vida, pois quem fica parado é “poste”. Melhore esta cara e faça o que puder fazer, pois assim beneficiará as pessoas ao seu lado. O cuidado de Deus é lindo nos desafiando: “Saia deste sepulcro!” Não perca seu tempo em bobagens que fazem ser um sofrimento enorme em sua vida.






O 'cuidar' é sempre expressão de alguém que ama. Ninguém gosta de ver a pessoa amada sofrendo. Precisamos acordar para a vida.






O nosso objetivo é ser feliz! Não há problema que resista à uma pessoa transformada por Deus! A um ser humano com vontade de resolver os problemas. Não há nada maior do que uma pessoa de coragem.






Quando o sofrimento bater à sua porta, abra a janela para que você veja a dor do outro.






Transcrição e adaptação: Eliziane Alves


Fonte : Site Canção Nova

domingo, 26 de outubro de 2008

Casamento não é mágica - Pe. Fábio de Melo




"Um Eu, encontra-se com o Tu, forma-se o Nós"

Pe. Fábio de Melo

Vídeo - Não foi tua culpa (Ziza Fernandes) - Pe. Fábio de Melo



Não foi tua culpa



Muitas vezes a vida não joga tão bem,
Se destroem as coisas e os sonhos também,
Nossos olhos se enchem de lágrimas,
Lembrando o que aconteceu,



Ninguém nunca nos disse ou tentou ensinar,
Que alguns que se amam podem se odiar,
Quando não se permite ao amor respirar o orgulho consegue ganhar.
Sei não é fácil ver desmoronar,
Tua felicidade num castelo de areia,
Ouvi essas vozes na escuridão
Te acusando e reclamando.




Não foi tua culpa que não te engane com isso,
Não foi tua culpa liberta-te desse peso
Não te torture pensando que mal tens feito
Se deus não te acusa ninguém mais tem o direito
Não foi tua culpa




Não tenha vergonha se queres chorar
Tens uma ferida que deve curar
E se queres olhar a diante o passado se deve sarar
Eu sei não é fácil falar de perdão
O ódio atrapalha e escorresse a razão
Já não busques culpados em teu coração
Mas um refugio onde possas amar




Tenha coragem e segue lutando
A muito por amar em deus não pensa em deixaste
Se andam falando que a historia acabou
A verdade é outra apenas estás começando




Não foi tua culpa que não te engane mais com isso,
Não foi tua culpa liberta-te desse peso
Não te torture pensando que mal tens feito
Se deus não te acusa ninguém mais tem o direito




Tens mais uma chance de ser feliz
Ainda pode dizer ao amor que sim.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O sofrimento é porta - Acampamento de Oração (18/10/08)

Padre Fabio de Melo

Foto: Wilson Martins



No Evangelho de Lucas 22, 39, Jesus está no Horto da Oliveiras pedindo a Deus Pai: “Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas sim a tua. Apareceu-lhe então um anjo do céu para confortá-lo. Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra.”





O sofrer figura como uma realidade das mais decorrentes, pois é causa de muito dizer, pensar e refletir. No sofrimento de Jesus, a angústia suprema que O abate é revelada a nós. Ele, por ser Filho de Deus, sofreu; isso é para nos identificar que a cruz não é uma representação nem um teatro, pois Ele não estava representando, mas vivendo na realidade humana por escolha da dura realidade, da conseqüência do Seu viver. Naquele momento, Ele estava com medo.




Temos o direito de chorar e dizer que estamos com medo, porque o peso da vida está sobre nós. Tornamo-nos diferenciado por que nos tornamos humanos demais. Nós ainda não encontramos maquiagem que maqueie nossa dor. O sofrimento é humano, real e concreto. Jesus pede ao Pai : “Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas sim a tua” . Ele sabia que este momento era uma transição e precisava de Deus para vencer a batalha. Nem o Filho de Deus escapou do sofrimento. Não podemos mudar o sofrimento, mas podemos pedir o milagre de saber conviver com ele. Ainda estou convencido de que o pior dos sofrimentos, nesta vida, é o sofrimento de não saber sofrer.




Quantas vezes você pediu para que o Senhor nos tirasse o sofrimento? Nós não temos como mudar isso. Quando o sofrer bater à sua porta, é melhor abri-la. Se não a abrir, ele vai ficar insistindo. Temos medo de abrir a porta para o desconhecido.




Não podemos negar a realidade por pior que ela pareça. Ela está à nossa frente e precisamos fazer alguma coisa. Por que nós sofremos, então? Porque há, em nós, o conceito de limite. Desde criança nós testamos nosso limite e sofremos por esbarrar nas limitações que nos são estabelecidas.




Nós nascemos porque o organismo de nossa mãe nos expulsou, não agüentava mais, foi porque a relação entre eles (o bebê e a mãe) chegou ao limite. Quando nascemos, a primeira coisa que fazemos é chorar para dizer que estamos no mundo. O organismo da mãe expulsa o filho por amor; e começamos nosso processo humano do sofrimento. Por isso que o ser humano não está pronto, porque precisa superar o próprio limite.




Você sabe que está doente pela dor; se está doendo, é porque ele está pedindo ajuda. Quantas vezes negligenciamos a dor do nosso corpo por não aceitar o nosso limite! O sofrimento físico é um grito de alerta para prestarmos atenção naquilo que não vai bem.




Quando existe algo que dói dentro de nós, mas os exames não acusam, temos a sensação de que a vida não tem mais graça. É a contração da vida; são os limites da alma.




Quais são os grandes sofrimentos que você identifica nos últimos tempos e que são capazes de deixá-lo infeliz? Esses são nossos limites. Se uma criança encara o nascimento como o fim, então ela já morre. Se ela encara, naquela contração, como um mundo diferente a desbravar, uma nova experiência, então ela supera o limite do nascimento.





Foto: Wilson Martins


"O pior dos sofrimentos, nesta vida, é o sofrimento de não saber sofrer"







Sofrimento é porta, mas se não atravesso essa porta, nunca vou chegar a saber o que ela vai me falar. Não aceito o desafio de passar pelo caminho estreito e mais difícil. As pessoas têm medo de atravessar a porta e ficam chorando e chorando; não vai em frente.




O que você está fazendo para mudar? Você fica olhando para a porta e não a atravessa. Temos de ser capazes de olhar os nossos limites e saber que quem manda neles somos nós. Somos nós quem administramos os nossos problemas.




Não seja um aborto humano. Muitas pessoas são abortadas da vida, porque não são capazes de entender que chegou a hora de 'sair'. Nunca estaremos prontos; experimentamos, na carne, os nossos desejos e vemos a vida passar. Por isso temos que desejar coisas maiores, para sempre termos desafios, pois é isso o que nos faz sobreviver.




Não quero que Deus retire o sofrimento de sua vida, mas que Ele o modifique em seu jeito de olhar para os problemas. Não há mágica de transformar pessoas. O sofrimento é o momento em que nos purificamos; o momento em que você foi mais infeliz, é o momento no qual você mais cresceu. Aceitar o limite é a melhor forma de acolher o sofrimento e superá-lo.




O maior milagre operado é quando Deus muda nosso jeito de pensar; o milagre da Palavra transformadora. Não adianta estar curado no corpo, se não estamos curados na alma para interpretar a vida que vem depois. Estamos, o tempo todo, pedindo para que Deus tire nosso sofrimento, mas, hoje, tenha a coragem de pedir para que o Senhor nos ajude a ver diferente o nosso sofrimento. Deus nos toca naquilo que nos modifica, não podemos tirar o sofrimento do nosso coração, mas o Pai vai nos fazer interpretar a vida de um jeito novo e saber que, esse sofrimento, não é o fim, mas o início de uma vida nova.




Vamos sofrer a dor do nascimento; mas felizes, pois Deus tem um lugar para nós.



Fonte : Site Canção Nova

Sofrimento, desafio para gigantes - Acampamento de Oração - 18/10/08

O amor do outro me torna maior, porque, quando amo e sou amado, fico maior. Por isso sentimos tantas saudades das pessoas que são especiais em nossa vida. Saudade de mãe é uma das coisas mais doidas.




Imagine a sua vida sem aquela pessoa. É o quanto você a ama. Quanto mais amamos, mais sofremos. Amar é tocar no limite; não tem como não sofrer se amamos. É possível viver sem o envolvimento do amor. O tempo todo precisamos de alguém ao meu lado que segure a nossa mão no tempo difícil. Por sermos amados é que sofremos. Sofremos por grandes causas e Jesus nos convida a viver a experiência do amor.




O sofrimento de Jesus foi porque Ele nos amou. O momento em que Ele mais sofreu foi porque mais amou. É a sua riqueza. Desejo que você tenha a coragem de abrir sua caixa de sofrimento e ver que ela está embrulhada em papéis estranhos. Isso porque aquela pessoa extraiu uma coisa diferente de você.




Não há como deixar de sofrer, porque não há como deixar de amar. As melhores coisas da vida é termos alguém ao nosso lado. Precisamos das pessoas nos momentos ruins e bons; precisamos delas ao nosso lado dizendo que estão conosco.




Não posso mudar. Se vou sofrer nesta vida, então, tenho que descobrir como sofrer, não porque sofrer. Nem sempre encontramos respostas para os sofrimentos.




Se alguma coisa ruim acontece conosco, sempre perguntamos o por quê. Para muitas coisas encontramos respostas, pois são científicas ou matemáticas; mas há momentos em que não há respostas. O que fazemos? Sofremos. É nosso limite. Há momentos que não combinam com perguntas, principalmente na tragédia; porque, quanto mais perguntamos, mais distantes do consolo da vida ficamos.





Foto: Wilson Martins

Não há como deixar de sofrer porque não há como deixar de amar.





A partir do momento em que me recuso a viver o sofrimento, as pessoas ao meu lado sofrem. Vamos organizar nosso luto e nossa tragédia, mas continuar vivendo. Vamos descobrir os motivos que nos ajudam a viver a vida. Muitas vezes, a incapacidade de organizar o sofrimento nos desestrutura.




Ninguém nos prometeu que seria simples e fácil, mas por que nunca estamos pronto a dar a volta para cima? Porque somos imaturos. Nós crescemos no tamanho, mas não no pacto com a vida. Maria foi grande porque estava de pé na cruz e não permitiu que a vida a sepultasse; ela superou a morte. Não permita que a morte de alguém sepulte a sua vida.




O que interessa é o que podemos fazer com a nossa vida. O que a vida fez não temos como mudar, pois já é passado e não temos como fazer o tempo voltar. Muitas vezes, não chegamos à resposta, porque não encontramos a pergunta certa. A sabedoria nos ensina que, ao invés de perguntar o porquê, devemos nos perguntar como passar por este sofrimento. É desafio de gigantes e ninguém nos prometeu que seria fácil. Chega de gente fracassada e indisposta para assumir a vida.




Quem não foi traído? Mas a misericórdia prevalece acima de qualquer coisa. Se alguém o traiu, expulse esse sofrimento de você. Se você foi traído, saiba que o mundo não acabou, por isso, levante a cabeça e deixe de chorar "pelo leite derramado". Nada de 'espírito de coitadinha' e 'coitadinho'. Todo mundo que anda curvado fica corcunda. Precisamos de pessoas que saibam viver a vida.




Fonte : Site Canção Nova



Transcrição e adaptação: Eliziane Alves

terça-feira, 21 de outubro de 2008

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Portador de Deus - 1a. Pregação Acampamento de Oração - Dia 17/10/08

"Quando o Sofrimento bater a sua porta"


Dias 17, 18 e 19/2008


Portador de Deus


Padre Fábio de Melo

Foto: Robson Siqueira/Fotos CN






Hoje celebramos na liturgia, memória de Santo Inácio, que recebeu o titulo de ‘’Teófiro” – portador de Deus.







Você já passou pela experiência de ser ‘portador’? Quando era pequeno, minha mãe me mandava buscar alguma coisa, e junto, levava um bilhetinho. Na verdade, era para me dar autoridade.







O que acho interessante é que ser portador de Deus tem a ver com a observação que Jesus faz sobre a hipocrisia. No ser portador não importa quem porta, mas o que se porta. Não importa quem leva, mas o que se leva.







Aqui a gente entende um detalhe da teologia sacramental muito bonito. Você pode já ter pensado que a Missa que um padre celebrou não tinha valor, pela vida que ele levava. Não importa o portador, e sim o conteúdo que ele anuncia.







Tenho que confiar que ele cumprirá o ofício de trazer o que foi pedido a ele. O que Deus realiza na minha vida de sacerdote, o que eu posso realizar a partir dos sacramentos, não está na minha dignidade, mas no ministério recebido.




Em mim o mistério de Deus sobrevive, mesmo que eu não faça como deveria ser feito, mesmo pecador. Aí a gente entende a autoridade do padre, onde mesmo não tendo uma vida santa, Jesus continua atuando nele, continua tendo poder de perdoar pecados, de ministrar os sacramentos. Nos paramentos que visto há uma identidade cravada.





Inácio de Antioquia dizia: “Neste mundo eu quero ser portador de Deus, desta verdade absoluta”. E sabe onde ele foi parar? No meio dos leões.




Com portador eu não posso extraviar esse conteúdo. Tenho que me comprometer com ele. Sou portador de um recado e eu não tenho direito de negligenciar isso...e Jesus diz para termos cuidado com aqueles que podem nos mandar para o inferno.




Você é portador de Deus.




Não há cristianismo na moleza. O portador ‘porta a dor’. Não significa você buscar sofrimento, mas abrir o coração para viver o sacrifício de cada hora.




O martírio virá. Não há como segurar esse bilhete de qualquer jeito, o mundo quer retirá-lo de nós.




Na carta que você carrega, a família tem valor, os cativos serão libertos, não há espaço para mentira, para as drogas, para os vícios. A carta que levamos leva boas noticias.




As ameaças que sofremos são outras, os inimigos são outros. Hoje você está sendo assassinado na alma.


"Preciso ser cristão em tudo o que sou e realizo. Sou portador de uma noticia!"Foto: Robson Siqueira/Fotos CN







Estamos diante do desafio de dar conta da vida todos os dias. Esse é o martírio de hoje, em tempos que não são favoráveis aos cristãos. Você está disposto a viver esse martírio?




Chega de hipocrisia. Precisamos assumir o cristianismo com todas as conseqüências.




Preciso ser cristão em tudo o que sou e realizo. Sou portador de uma noticia!




Seja portador de Deus vivendo o seu papel. O cristianismo nos envolve por inteiro. E a espada que está diante de nos hoje é essa que quer nos mandar para o inferno, que cria o inferno dentro de nossa casa.




Os saqueadores estão loucos pelos seus filhos. A cena do martírio é a mesma.




O mundo nos ameaça o tempo todo e só vai sobreviver aquele que estiver consciente do conteúdo da carta que porta, da identidade que tem. Deus conta com você.





As feras estão soltas. O mundo de hoje é covarde. Descubra o perigo mais próximo de você e aja! Peça a sabedoria que o Espírito Santo nos concede e aja. Não negligencie de levar até o fim essa carta que Deus lhe confia.




Quando as pessoas olharem pra nós terão que ver o cristo refletido. Ver que você administra seu lar diferente. Que você não é mãe de qualquer jeito.





Tu és uma carta de Cristo! Anunciamos o Evangelho mesmo calados!




Faça transparecer a identidade que está em você. Filho do céu. Portador de Deus.




Há muita gente desistindo, mas eu não desisto, não quero desistir.




Um filho do céu não pode desistir.
Não desista!







Transcrição e adaptação: Nara Bessa

Fonte : Site Canção Nova